Publicado por: paisdocls em: 16 16UTC Outubro 16UTC 2009
retirado de Jornal de Notícias (online)
Mais do que a gripe ou as infecções respiratórias, são as dores de cabeça e de barriga, os vómitos e o mal-estar que afectam as crianças no início do ano lectivo.
São “perturbações de comportamento” que os pediatras dizem ser “induzidas por uma escola que está virada para a média”.
Segundo o presidente da Sociedade Portuguesa de Pediatria, ouvido pela Lusa a propósito do X Congresso Nacional de Pediatria, que começa hoje (15.10.) em Tróia, há “muitas crianças que não se coadunam com as exigências médias e que, quando são confrontadas com estas exigências, desenvolvem vários tipos de patologia”.
Essas patologias chegam aos profissionais de Saúde através dos pais. “São meninos que, durante a semana, têm dor de cabeça e de barriga, vomitam e sentem-se mal e os pais são chamados à escola porque têm de ser retirados, mas quando chega o fim-de-semana comportam-se normalmente e tornam-se saudáveis”. Esta “doença”, diz Luís Januário, resolve-se quando as crianças “perceberem o seu lugar, se conformarem com este, ou arranjarem estratégias para ultrapassar os problemas”. Que, para os pediatras, são um desafio constante.
“A vida social modificou-se radicalmente: há uma socialização mais precoce das crianças, uma integração das crianças em espaços públicos – como as creches e os infantários – muito mais precoce, uma compartimentação da vida e uma sujeição a ritmos que não são os mais tradicionais e isso faz com que surjam de facto patologias novas”. Entre elas a hiperactividade e o défice de atenção. “A partir do momento em que as exigências escolares e curriculares passaram a ser muito mais apertadas, algumas perturbações revelaram-se em crianças que, normalmente, passavam as malhas do diagnóstico”.